
Restos de cozinha, esterco curtido e folhas secas costumam sobrar em qualquer propriedade. Com um minhocário, esse material vira húmus, um dos adubos orgânicos mais valorizados na horta e no pomar. A montagem é simples, o custo é baixo e o trabalho diário se resume a alimentar e manter a umidade. Saber como fazer minhocário do jeito certo evita os dois problemas mais comuns: mau cheiro e fuga das minhocas.
Nem toda minhoca serve. As mais usadas na vermicompostagem são as vermelhas-da-califórnia, que vivem na camada superficial, se alimentam de matéria orgânica em decomposição e se reproduzem rapidamente em cativeiro. A minhoca comum, encontrada ao cavar a terra, vive em camadas mais profundas e não se adapta bem ao canteiro.
As matrizes podem ser compradas de outros produtores ou de minhocários comerciais. Poucos quilos de minhocas bastam para começar, já que a população cresce ao longo dos meses.
O minhocário precisa ficar em lugar sombreado, fresco e protegido da chuva forte. Sol direto aquece o canteiro e mata as minhocas; enxurrada encharca e expulsa os animais.
Outros cuidados com o local:
Há várias formas de montar o minhocário, conforme a escala:
Qualquer que seja o modelo, o canteiro deve ter cobertura, como tampa, telha, sombrite ou palha, para manter o ambiente escuro e úmido.
A base do canteiro é uma camada de material já parcialmente decomposto, como esterco curtido de gado misturado a restos vegetais. Esterco fresco não deve ser usado, porque esquenta durante a fermentação e pode matar as minhocas.
Podem ir para o minhocário:
Devem ficar de fora carne, ossos, laticínios, gordura, óleo, alho, cebola e frutas cítricas em grande quantidade. Esses itens atraem moscas e ratos, fermentam mal ou acidificam o canteiro.
A alimentação deve ser feita em pequenas porções, espalhadas na superfície, e só se acrescenta mais quando a porção anterior já foi consumida.
O ponto de umidade ideal é parecido com o de uma esponja espremida: úmido ao toque, mas sem escorrer água quando se aperta um punhado. Em dias quentes, pode ser necessário molhar o canteiro com regador, sempre com cuidado para não encharcar.
Minhocas fugindo do canteiro ou se amontoando nas bordas indicam problema: excesso de água, calor, acidez ou alimento inadequado.
Depois de cerca de dois a três meses, dependendo do volume e da alimentação, o material vira uma massa escura, solta e com cheiro de terra. É o húmus pronto.
Para separar as minhocas, uma técnica simples é concentrar o alimento novo em um lado do canteiro por alguns dias. As minhocas migram para lá, e o húmus do outro lado pode ser retirado. Nas caixas empilhadas, a migração acontece de uma caixa para a de cima.
O húmus pode ser usado puro em covas de mudas, misturado ao substrato de sementeiras ou espalhado ao redor das plantas no pomar e na horta. O líquido que escorre do minhocário, depois de diluído em água, também pode ser aplicado nas plantas.
Minhocário bem manejado não fede. Cheiro forte indica excesso de alimento, material inadequado ou falta de ar. A solução é suspender a alimentação por alguns dias, acrescentar material seco, como folhas e papelão, e revolver levemente a superfície.
Moscas são afastadas enterrando os restos sob uma camada de material seco. Formigas costumam aparecer quando o canteiro está seco demais.
Depende do volume, da quantidade de minhocas e da alimentação. Em geral, o material começa a ficar pronto entre dois e três meses depois da montagem.
Não é o ideal. As minhocas comuns vivem em camadas profundas do solo e não se adaptam ao canteiro. As vermelhas-da-califórnia são as mais indicadas.
Sim, desde que diluído em água. Aplicado puro, pode ser forte demais para plantas jovens.
Globo Rural On, 2026.