
Compostar esterco é deixar que o material se decomponha de forma controlada, misturado a resíduos secos, até virar um adubo estável, sem cheiro forte e seguro para aplicar no solo. O esterco fresco não deve ir direto para a lavoura, porque pode queimar raízes e carregar risco sanitário. A compostagem resolve isso: transforma um resíduo abundante na propriedade em um insumo de valor, reduzindo a dependência de adubo comprado.
Esterco recém-produzido é rico em nitrogênio em forma que pode prejudicar as plantas se aplicado sem tratamento. Além de poder queimar raízes, ele pode conter organismos indesejados e sementes de plantas invasoras que sobrevivem à passagem pelo animal. Durante a compostagem bem conduzida, o calor gerado pela decomposição ajuda a reduzir esses riscos, e o material se estabiliza em uma forma que o solo aproveita melhor e de maneira mais gradual.
O segredo de uma boa compostagem está na mistura. O esterco, úmido e rico em nitrogênio, precisa ser combinado com material seco e rico em carbono, como palha, capim seco, serragem ou restos de poda. Sem esse equilíbrio, a pilha tende a compactar, ficar encharcada e exalar mau cheiro, sinal de decomposição sem oxigênio. Alguns pontos de atenção:
A decomposição eficiente depende de oxigênio, e é aí que entra o revolvimento. Revolver a pilha periodicamente areja o material, distribui a umidade e mantém a decomposição aeróbica, que gera menos odor e trabalha mais rápido. Uma pilha bem montada costuma esquentar nos primeiros dias, sinal de que a atividade dos microrganismos está intensa. Quando ela esfria, um novo revolvimento ajuda a reativar o processo até que o material se estabilize.
Reconhecer o ponto certo evita aplicar material ainda imaturo. O composto pronto costuma apresentar:
Aplicar o composto antes de atingir esse estágio pode prejudicar as plantas, já que a decomposição incompleta ainda consome nitrogênio do solo.
A compostagem de esterco transforma um resíduo abundante em adubo estável e seguro, fechando parte do ciclo de nutrientes dentro da propriedade. Com o equilíbrio certo entre material úmido e seco, revolvimento periódico e paciência até o material amadurecer, o produtor reduz custo com insumo externo e dá destino adequado a um resíduo que, mal manejado, viraria problema.
Depende do tipo de esterco, do clima e da frequência de revolvimento, mas costuma levar de alguns meses até o material atingir aspecto escuro, uniforme e com cheiro de terra.
Em geral, esterco de diferentes animais pode ser compostado, sempre combinado com material seco para equilibrar. O importante é conduzir bem o processo até a estabilização, garantindo a redução de riscos sanitários.
Não há número fixo, mas revolver quando a pilha esfria ajuda a arejar e reativar a decomposição. Revolvimentos periódicos mantêm o processo aeróbico, mais rápido e com menos odor do que uma pilha parada.
Globo Rural On, 2026.