
A seca chega todo ano, e o pasto vai embora com ela. Guardar comida para o rebanho enquanto há fartura é o que separa uma entressafra tranquila de um período de vacas magras, e a silagem de milho continua sendo uma das formas mais usadas de fazer isso. Saber como fazer silagem de milho não exige grandes máquinas, mas pede atenção a detalhes que decidem se o material vai fermentar bem ou apodrecer no silo.
O milho para silagem é colhido antes do ponto de grão seco. O indicador mais prático é a linha do leite: ao quebrar uma espiga e observar o grão, aparece uma divisão entre a parte já endurecida, farinácea, e a parte ainda leitosa. O momento ideal costuma ser quando essa linha está entre metade e dois terços do grão.
Nesse estágio, a planta inteira tem por volta de 30% a 35% de matéria seca. Colhido cedo demais, o material fica aguado, escorre caldo no silo e fermenta mal. Colhido tarde, fica seco e fibroso, difícil de compactar, e o risco de mofo aumenta.
O picado deve ser uniforme, com partículas em torno de 1 a 2 centímetros. Pedaços muito grandes deixam ar preso na massa; pedaços muito finos podem prejudicar a ruminação dos animais. Manter as facas da ensiladeira afiadas e reguladas é parte do trabalho.
O enchimento precisa ser rápido. O ideal é que o silo seja fechado no mesmo dia ou, no máximo, em poucos dias. Enquanto o material está exposto, ele respira, aquece e perde valor nutritivo.
A fermentação da silagem acontece sem oxigênio. Quanto mais ar ficar dentro da massa, maior a chance de fungos e perdas. Por isso a compactação é a etapa mais importante do processo.
Para compactar bem:
Terminado o enchimento, a vedação precisa ser imediata. A lona deve ser própria para silagem, resistente à luz do sol e sem furos, cobrindo todo o material e descendo pelas laterais. Sobre ela, pneus velhos, terra ou sacos de areia mantêm a lona colada à massa. Uma valeta ao redor do silo evita a entrada de água da chuva.
A fermentação leva algumas semanas. A recomendação comum é aguardar pelo menos 21 a 30 dias antes de abrir o silo. Durante esse tempo, é preciso vistoriar a lona e tapar qualquer furo feito por pássaros ou roedores.
Quando o silo é aberto, o oxigênio volta a entrar e a silagem começa a aquecer e perder qualidade. O desafio é tirar o material de forma que a face exposta avance todo dia.
Boas práticas na retirada:
O cálculo parte de três números: quantos animais serão alimentados, quanto cada um vai comer por dia e quantos dias dura o período seco na região. Uma vaca leiteira pode consumir dezenas de quilos de silagem por dia, conforme o peso, a produção e o restante da dieta. Multiplicando o consumo diário pelo número de animais e pelos dias de seca, chega-se ao total necessário.
Sobre esse total, é prudente acrescentar uma margem para perdas de fermentação, descarte e atrasos no início das chuvas. Com o volume definido, o técnico de assistência rural pode ajudar a estimar a área de milho necessária e o tamanho do silo.
Bem vedada e sem entrada de ar, a silagem pode ser conservada por meses e até mais de um ano. O que limita é a integridade da lona e a manutenção do silo fechado.
Silos de superfície, de trincheira e de saco são os mais comuns. A escolha depende do volume, do terreno e dos equipamentos disponíveis para compactar.
Silagem bem feita tem cheiro levemente ácido e agradável. Cheiro de podre, de amônia ou de vinagre muito forte indica fermentação ruim, geralmente por ar ou excesso de umidade.
Globo Rural On, 2026.