
Elas plantam, colhem, ordenham, transformam e vendem. Ainda assim, o trabalho das mulheres rurais nem sempre é visto como produção. A data de 15 de outubro existe justamente para mudar esse olhar.
O Dia Internacional das Mulheres Rurais, lembrado em 15 de outubro, foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas por meio da resolução 62/136, de 18 de dezembro de 2007. A primeira celebração oficial aconteceu em 15 de outubro de 2008. Antes disso, a data já vinha sendo lembrada por organizações da sociedade civil desde meados da década de 1990.
A resolução reconhece o papel das mulheres rurais no desenvolvimento agrícola, na segurança alimentar e no combate à pobreza no campo. É um reconhecimento que faz sentido para quem conhece a rotina de uma propriedade: boa parte do trabalho que coloca comida na mesa passa pelas mãos delas, muitas vezes sem aparecer nas estatísticas ou nos documentos.
Por muito tempo, o trabalho das mulheres rurais foi tratado como "ajuda" ao marido ou ao pai. Na prática, elas estão presentes em todas as etapas da produção:
Soma-se a isso o trabalho doméstico e o cuidado com crianças e idosos, que continua recaindo majoritariamente sobre elas e reduz o tempo disponível para estudo, descanso e participação em espaços de decisão.
Cada vez mais mulheres assumem a gestão da propriedade, seja por sucessão, por escolha ou pela saída de outros membros da família. A gestão envolve decidir o que plantar, controlar custos, negociar com compradores e planejar investimentos.
A agroindústria familiar é um espaço em que a presença feminina costuma ser forte. Transformar leite em queijo, fruta em doce e mandioca em farinha agrega valor à produção e aumenta a renda da família. Esse caminho exige atenção às boas práticas de fabricação, à rotulagem e ao registro nos serviços de inspeção, mas pode transformar a economia de uma pequena propriedade.
A organização coletiva é uma das principais ferramentas para as mulheres rurais ganharem escala e voz. Grupos produtivos, associações e cooperativas permitem:
Muitos desses grupos começam pequenos, com poucas produtoras vizinhas vendendo juntas numa feira, e crescem à medida que ganham confiança e organização.
Capacitação técnica e gerencial é um dos caminhos mais citados para fortalecer o trabalho das mulheres no campo. Cursos de gestão, boas práticas agropecuárias, beneficiamento de alimentos e comercialização são oferecidos por serviços de assistência técnica e extensão rural dos estados, por instituições de aprendizagem rural e por cooperativas.
No crédito, o Pronaf, programa federal voltado à agricultura familiar, tem uma linha específica para mulheres, o Pronaf Mulher, destinada a financiar atividades conduzidas por elas na propriedade. Para acessar o programa, é preciso estar inscrita no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, o CAF. Uma dica importante é garantir que o nome da mulher conste nos documentos da propriedade e nos cadastros, o que facilita o acesso a crédito, a políticas públicas e à aposentadoria rural.
Mais do que uma homenagem, a data de 15 de outubro pode servir para que famílias, associações e comunidades discutam como dividir melhor o trabalho, reconhecer a renda gerada pelas mulheres e abrir espaço para que participem das decisões sobre o futuro da propriedade.
A data foi instituída pela Assembleia Geral da ONU na resolução 62/136, de 18 de dezembro de 2007. A primeira celebração oficial ocorreu em 15 de outubro de 2008.
É uma linha do Pronaf voltada a financiar atividades produtivas conduzidas por mulheres agricultoras familiares. As condições são definidas a cada Plano Safra e devem ser consultadas no banco ou na entidade de assistência técnica.
Estar nos cadastros e documentos garante o reconhecimento formal como produtora rural. Isso facilita o acesso a crédito, a programas públicos e a direitos previdenciários.
Globo Rural On, 2026.