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Dia Mundial da Alimentação: como reduzir perdas de alimentos ainda no campo

Campo recém-semeado com sulcos paralelos e mata ao fundo

Cada caixa de tomate amassada no transporte, cada saco de milho carunchado no paiol e cada fruta que apodrece no pé representam trabalho, adubo, água e dinheiro que não chegaram a lugar nenhum. O Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, é uma oportunidade para olhar esse problema de perto. As perdas de alimentos no campo acontecem antes que o produto chegue ao mercado, e boa parte delas pode ser evitada com medidas simples.

Uma data ligada à criação da FAO

O 16 de outubro lembra a fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, criada nesse dia em 1945. A cada ano, a data ganha um tema e mobiliza governos, escolas e entidades em torno do combate à fome e do acesso a alimentos.

A FAO diferencia dois conceitos. Perda é o que se estraga ou se descarta entre a colheita e o varejo, portanto na produção, no armazenamento, no transporte e no processamento. Desperdício é o que se joga fora no comércio e na casa do consumidor. Para quem produz, o foco está nas perdas.

Colheita fora do ponto

A primeira fonte de perda é colher no momento errado. Produto colhido verde demais pode não amadurecer direito e ser recusado pelo comprador. Colhido maduro demais, estraga antes de chegar ao destino.

Para reduzir esse tipo de perda:

Manuseio e embalagem

Frutas e hortaliças são sensíveis a batidas, cortes e compressão. Um amassado invisível no momento da colheita vira uma mancha escura dias depois e abre caminho para fungos.

Boas práticas de manuseio:

  1. usar caixas limpas, sem farpas e sem cantos cortantes;
  2. não encher demais as embalagens, para que o peso de cima não esmague o produto de baixo;
  3. colocar o produto na caixa com cuidado, sem jogar;
  4. separar logo os itens machucados ou doentes para que não contaminem o restante;
  5. manter as caixas colhidas à sombra enquanto aguardam o transporte.

Treinar quem colhe faz diferença. Muitas vezes, a pressa por produtividade aumenta as perdas no final.

Transporte

Estradas ruins, veículos sem proteção e cargas mal arrumadas causam boa parte das perdas entre a propriedade e o comprador. Algumas medidas ajudam:

Armazenamento

No caso dos grãos, as principais perdas vêm de umidade alta, insetos, fungos e roedores. Secar bem antes de guardar, limpar o local e inspecionar o estoque com frequência são medidas básicas.

Para hortaliças e frutas, o armazenamento é curto e depende de temperatura. Um local fresco, ventilado e sombreado já prolonga a vida útil. Estruturas coletivas de resfriamento, mantidas por associações ou cooperativas, podem ser uma alternativa para pequenos produtores.

Dar destino ao que não é vendido

Nem todo produto fora do padrão precisa ser perdido. Frutas com defeito de aparência podem virar doce, polpa ou suco. Hortaliças pequenas podem ir para o consumo da família ou para a alimentação dos animais. Restos de colheita podem voltar ao solo pela compostagem.

Vender para programas de compras públicas, feiras e mercados locais, que aceitam produtos com menor padronização visual, também ajuda a escoar parte da produção que seria descartada pelos grandes compradores.

Perguntas e respostas

Por que o Dia Mundial da Alimentação é em 16 de outubro?

A data lembra a fundação da FAO, a agência das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura, criada em 16 de outubro de 1945.

Qual a diferença entre perda e desperdício de alimentos?

Perda ocorre entre a colheita e o varejo, na produção, no transporte, no armazenamento e no processamento. Desperdício é o descarte no comércio e pelo consumidor.

Qual a medida mais simples para reduzir perdas na colheita?

Colher no ponto certo e manusear com cuidado já reduz boa parte das perdas. Manter o produto colhido à sombra e transportá-lo rapidamente completa o básico.


Globo Rural On, 2026.